Bem-vindo ao Palacete
Estás à entrada do Museu de Olaria de Barcelos, num palacete do século XVIII que guarda 11 mil peças de barro e três mil anos de história. Este edifício já foi casa da família nobre Mendanha, depois escola industrial, e desde 2013 é o lar de uma das colecções de cerâmica mais importantes do país. Três pisos, 2 mil metros quadrados, e uma tradição que continua viva nas mãos de artistas que trabalham a poucos quilómetros daqui.
A Casa dos Mendanhas tem o seu próprio passado. António de Mendanha Arriscado foi o último portador do título familiar em 1890. O edifício serviu de Escola Industrial e Comercial durante décadas até a Câmara o comprar em 1982. O restauro levou anos e transformou salas de aula naquilo que vês agora.
O museu propriamente dito nasceu em 1963, mas noutro sítio. Começou debaixo do Paço dos Condes, numa sala subterrânea, com 700 peças que o etnógrafo Joaquim Sellés Paes de Villas Boas tinha recolhido pelo país. Durante 60 anos, a colecção foi crescendo. Agora tens aqui cerâmica de todo o Portugal: Alentejo, Trás-os-Montes, até de antigas colónias como Angola e Brasil.
Mas há um piso que toda a gente quer ver. O terceiro piso, dedicado ao Figurado de Barcelos. E quando digo figurado, não falo de pratos ou jarros utilitários. Falo de criaturas com seis patas, Cristos sem cruz, diabos, lobisomens, híbridos que parecem ter saído de sonhos febris. Barcelos sempre fez cerâmica, durante séculos. Mas foi nos anos 50 que tudo mudou, quando uma barrista chamada Rosa Ramalho começou a criar peças que ninguém tinha visto antes. Tinha quase 70 anos quando a descobriram.
O que ela fez transformou Barcelos. E esta é a história de como o barro se tornou arte sem deixar de ser trabalho.
Vamos lá.
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