Introdução / Apresentação
Uma vila pequena, encostada à Serra da Malcata, a poucos quilómetros da fronteira espanhola. Não é o género de lugar que aparece nos roteiros turísticos habituais. E talvez seja precisamente por isso que faz sentido começar aqui. Porque o que esta Casa guarda não é uma história local. É uma história europeia, mediterrânica, global, que tem as suas raízes mais fundo do que se imagina, e que passa, entre muitos outros sítios, por esta vila da Beira Interior. O nome completo do espaço onde estás é Casa da Memória da Medicina Sefardita Ribeiro Sanches. Cada palavra desse nome carrega peso.
"Memória" porque muito do que aqui se conta esteve esquecido ou deliberadamente apagado durante séculos. "Medicina Sefardita" porque o fio condutor desta história é uma relação muito particular entre os judeus portugueses e a arte de curar. E "Ribeiro Sanches" porque há um homem nascido aqui mesmo, em Penamacor, no dia 7 de Março de 1699, que é o centro de gravidade de tudo isto. Mas antes de chegarmos a ele, convém perceber o contexto.
Porque António Nunes Ribeiro Sanches não surgiu do nada. Surgiu de uma tradição de séculos, de uma minoria que, apesar de perseguida, apesar de expulsa, apesar de queimada em praça pública por aquilo em que acreditava, nunca deixou de estudar, de curar, de pensar. Em Portugal, na Idade Média, estima-se que os judeus representavam cerca de sessenta por cento da população médica do reino. Sessenta por cento. Para uma minoria que era uma fração pequena da população total, esse número diz tudo sobre a relação entre este povo e o conhecimento. Esta Casa é um tributo a essa tradição. E ao homem que, de certa forma, a encerrou com chave de ouro.
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